Stonewall analisado por Harari

Os 50 anos de uma rebelião ocorrida no bar Stonewall Inn, no Greenwich Village, em Nova York, comemorados recentemente, renderam acalorados debates, documentários, matérias na mídia e um valioso artigo do escritor israelense Yuval Noah Harari, publicado originalmente no Guardian e republicado aqui no blog da Companhia das Letras – http://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/50-anos-de-Stonewall-Yuval-Noah-Harari-reflete-sobre-as-ameacas-aos-direitos-LGBT7.

Harari utiliza o episódio, considerado um marco da luta pelos direitos LGBT no mundo, para lembrar que apesar das conquistas notáveis registradas nas últimas décadas – a Sérvia tem como primeira ministra uma lésbica assumida; o primeiro ministro da Irlanda é orgulhosamente gay e assim também o CEO da Apple e numerosos outros políticos, empresários, artistas e cientistas – elas não garantem o futuro. Segundo o escritor, “cerca de setenta países ainda criminalizam a homossexualidade, como Arábia Saudita, Irã, Brunei e uma porção de outras nações condenando gays à morte. E mesmo as sociedades mais amigáveis com sua população gay ainda apresentam muita discriminação, abuso e outros crimes de ódio”.

Para Harari, só a organização coletiva das pessoas pode garantir alguma luz em um mundo cada vez mais dominado por interesses obscuros, potencializados pelos enormes avanços tecnológicos das últimas décadas. Segundo ele, a cooperação está no âmago do que foram os levantes de Stonewall e é ela que torna os humanos poderosos.

Murakami para a vida

O escritor japonês, Haruki Murakami em foto do El País

“Cinco Lições de Murakami para a vida”, conforme matéria publicada no site do jornal espanhol El País.

– A solidão é a melhor via para o conhecimento. 

– O mundo é imprevisível.

– Não procure um sentido.

– Se sobreviver ao caos, você já ganhou.

– O orgulho e o medo nos tiram o melhor da vida.

América Latina encolhida

Relatório intitulado “O Espaço do Livro Ibero-Americano 2018” revela que as crises econômicas do Brasil e da Argentina atingiram em cheio o mercado editorial da América Latina. Produzido pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe, apresentado recentemente na Feira do Livro de Madri e comentado aqui em notícia publicada no Estadão, o documento informa que o mercado da Argentina encolheu 23,8% em 2016 e o do Brasil, 12,3% em 2015 e outros 8% em 2016. Em conjunto, a produção de exemplares no continente caiu 39,88% entre os anos de 2013 e 17. Cerca de 128 milhões de volumes a menos na produção de livros no período.

439 anos na memória da língua portuguesa

Outra memória importante do mês de junho, a morte do poeta português Luís Vaz de Camões completa hoje 439 anos. Ou completaria, se considerada fato ocorrido em 10 de junho de 1580. Sua morte, como a rigor toda sua biografia é motivo de controvérsia entre os pesquisadores. Não se sabe com precisão, por exemplo, seu ano de nascimento. Mestre maior da literatura de língua portuguesa, teve uma produção épica em diferentes gêneros literários sintetizada no seu monumental “Os Lusíadas”, a história do navegador Vasco da Gama contada em um poema com dez cantos, somando 1.102 estrofes e um total de 8.816 versos decassílabos.

Abaixo, o Canto I de “Os Lusíadas”

As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana*,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
…..
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte

*Forma como era conhecido na Idade Média o antigo Ceilão, atual Sri Lanka.