Rio literário

Ilustração do El País

Os vestígios literários do Rio de Janeiro em diferentes épocas, conforme matéria publicada pelo jornal espanhol El País:

-Machado de Assis – Século XIX. Os casarões de Santa Teresa, as mansões de antigos bairros elegantes como Botafogo, onde é possível visitar, por exemplo, a casa de Rui Barbosa. Na região central, destacam-se a Confeitaria Colombo, a Academia Brasileira de Letras e o Teatro Municipal.

-Século XX – O Rio de Stefan Zweig – O escritor chegou à cidade em 1941 pelo Aeroporto Santos Dumont e foi hospedado com todas as honras no Copacabana Palace. Infeliz pelas sucessivas viagens fugindo do nazismo, Zweig busca refúgio em Petrópolis, onde é possível visitar a casa onde acabou se suicidando em 1942, ao lado da mulher Lotte.

-O Rio de Rosa Chacel – A escritora viveu por mais de 30 anos na cidade, em um dos “exílios menos documentados/e mais interessantes dos escritores republicanos depois a Guerra Civil Espanhola”. Chegada ao Rio em 1940, Rosa morou em plena avenida Nossa Senhora de Copacabana até seu retorno à Espanha na década de 70. Traços desse passado ainda podem ser vistos, segundo a matéria, no bairro Peixoto e na extravagância art déco de edifícios como o Ophir Guahy e outros tantos da avenida Atlântica. Quando queria fugir da claustrofobia de seu exílio, Chacel fazia excursões à Ilha de Paquetá.

-Em 1951 chegava ao Rio a poeta americana Elizabeth Bishop. Veio para passar 15 dias e acabou ficando 15 anos e vivendo uma relação tempestuosa e apaixonada com a arquiteta Lota Macedo Soares. Viveu na Praia do Leme, no prédio ainda hoje existente, o Mandori, próximo ao restaurante La Fiorentina. Na mesma região viveu Clarice Lispector, na rua Gustavo Sampaio, 88. Como Zweig, Bishop se encantou por Petrópolis, em cuja aldeia de Samambaia compartilhou com Lotta uma casa mítica da arquitetura moderna brasileira, projetada pelo arquiteto Sérgio Bernardes, em 1951.

Seguindo os passos de Zweig e Bishop, Manuel Puig chegou ao Rio depois de uma vida errante pela Europa e Estados Unidos. O escritor desembarcou em 1980 vindo da Argentina. Morou no Alto Leblon, no número 57 da rua Aperanal, em um edifício cercado por amendoeiras do mar, mangueiras, mimosas e flamboyants. “Árvores antigas…estão bem conservadas com suas orquídeas e bromélias fixadas aos troncos por gerações de jardineiros e moradores. Ainda há vestígios do gosto burguês de então, azulejos e pastilhas de cor pastel, grades e varandas de ferro forjado que lembram a era de ouro do bairro, nos anos cinquenta”.

Os melhores destinos para amantes dos livros

Por meio de pesquisa realizada pela Revista Bula, Helene Oliveira listou “As 15 Melhores Cidades do Mundo para Amantes de Livros”. São lugares citados em grandes obras, que possuem importantes livrarias, bibliotecas ou festivais literários. Abaixo as selecionadas e um resumo dos motivos da escolha.

Buenos Aires – Argentina

São quase 700 livrarias espalhadas pela cidade e uma joia, “El Ateneo Grand Splendid”, livraria instalada em um antigo cinema e presença frequente nos rankings das mais bonitas do mundo.

Tóquio – Japão

Apenas no distrito de Jimbocho, “A Cidade dos Livros de Tóquio”, são mais de 170 livrarias, 50 delas especializadas em obras raras.

Dublin – Irlanda

A biblioteca do Trinity College e suas obras raras e o museu dedicado à vida e obra de James Joyce são alguns dos patrimônios da cidade.

São Francisco – EUA

Paraíso das livrarias alternativas, abriga, entre outras, City Lights Bookstore, inaugurada em 1953 e pioneira na venda de livros de bolso.

Paris – França

Lar de cerca de 900 livrarias, entre elas a célebre Shakespeare and Co, e de alguns dos maiores nomes da literatura mundial, de Hemingway a Marcel Proust.

Hay-on-Wye – País de Gales

Pequena vila com cerca de 30 livrarias e sede do Hay Festival, evento com cerca de 150 mil visitantes tradicionalmente promovido nas últimas semanas de maio.

Nova Orleans – EUA

Cenário de Faulkner, Twain e Capote, realiza anualmente um festival dedicado à Tennessee Williams, vencedor do Prêmio Pulitzer de 1959, que viveu na cidade.

Londres – Inglaterra

Terra de nomes como Dickens, Shakespeare, Wilde e Austen, a cidade abriga a British Library, onde estão, entre outros tesouros, originais de Darwin e manuscritos de até 2 mil anos a.C.

Portland – EUA

Sede da maior livraria do mundo, a Powell’s City of Books. Fundada em 1971, ocupa hoje um quarteirão inteiro do bairro Burnside. São 120 seções de livros novos e usados.

Washington – EUA

É lar da maior biblioteca do globo, a Biblioteca do Congresso. São mais de 155 milhões de volumes, entre livros, mapas, manuscritos, fotografias e filmes.

Edimburgo – Escócia

Sede de uma das maiores feiras mundiais do setor, o Festival Internacional do Livro de Edimburgo, a cidade oferece roteiros turísticos inspirados em escritores como Conan Doyle.

Berlim – Alemanha

Além de atrações como a Bebelplatz, praça onde os nazistas queimaram milhares de livros em 1933, possui centenas de livrarias, como a Dussmann, maior e mais completa do país.

-Reykjavik – Islândia

 Dona de uma importante herança literária medieval, é sede do Saga Museum, dedicado às obras islandesas escritas entre os séculos 12 e 14.

Lisboa – Portugal

Fonte de inspiração de escritores como Camões, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, tem entre suas atrações o Café A Brasileira, ponto de encontro de intelectuais no início do século XX.

São Petersburgo – Rússia

Entre suas atrações, casas/museus de grandes nomes da literatura russa e a Biblioteca Nacional da Rússia, com acervo de mais de 30 milhões de volumes.

O mapa-múndi das livrarias

Livrarias

Já nas lojas,  “Livrarias: Uma História da Leitura e de Leitores”, do ensaísta catalão Jorge Carrión. A edição, da Bazar do Tempo, tem tradução de Sílvia Massimini e contempla 20 anos de viagens do autor pelos cinco continentes em busca de livrarias. Carrión mistura diário de bordo, reportagem de fôlego e ensaio cultural. Entre as muitas livrarias citadas a Shakespeare and Company, de Paris (uma das mais importantes do Século XX); a Barnes & Nobles; e as redes brasileiras, Nobel, Saraiva e Cultura, todas, como informa o autor, surgidas de projetos de imigrantes.