Waly está aqui

Poema “Sargaços” por Maria Bethânia

Dia de comemorar os 76 anos de nascimento do poeta, músico e agitador cultural Waly Salomão. Nascido em Jequié, na Bahia, filho de pai sírio e mãe sertaneja, morreu aos 59 anos, em 2003, meses após assumir a Secretaria do Livro e da Leitura a convite do então ministro Gilberto Gil. Além de autor de livros de poesia premiados, Waly foi letrista de clássicos da MPB como “Vapor Barato”, em parceria com o Jards Macalé, e dezenas de outras interpretadas por Caetano Veloso, Adriana Calcanhoto, Gal etc. Amigo do poeta Torquato Neto, editou seu único livro, “Os Últimos Dias de Paupéria”, publicado postumamente.

ANTI-VIAGEM

Toda viagem é inútil,
medito à beira do poço vedado.
Para que abandonar seu albergue,
largar sua carapaça de cágado
e ser impelido corredeira rio abaixo?
Para que essa suspensão do leito
da vida corriqueira, se logo depois
o balão desinfla velozmente e tudo
soa ainda pior que antes pois entra
agora em comparação e desdoiro?
Nenhum habeas corpus
é reconhecido no Tribunal do Júri do Cosmos.
O ir e vir livremente
não consta de nenhum Bill of Rights cósmico.
Ao contrário, a espada de Dâmocles
para sempre paira sobre a esfera do mapa-múndi.
O Atlas é um compasso de ferro
demarcando longitudes e latitudes.
Quem viaja arrisca
uma taxa elevada de lassitudes.
Meu aconchego é o perto,
o conhecido e reconhecido,
o que é despido de espanto
pois está sempre em minha volta,
o que prescinde de consulta
ao arquivo cartográfico.
O familiar é uma camada viscosa,
protetiva e morna
que envolve minha vida
como um pára-choque.
Nunca mais praias nem ilhas inacessíveis,
não me atraem mais
os jardins dos bancos de corais.
Medito é beira da cacimba estanque
logo eu que me supunha amante
ardoroso e fiel
do distante
e cria no provérbio de Blake que diz:
EXPECT POISON FROM THE STANDING WATER.
Ou seja:
AGUARDE VENENO DA ÁGUA PARADA.
ÁGUA ESTAGNADA SECRETA VENENO.

Vozes que ecoam 30 anos depois

Imagem publicada pela National Geographic

“E não conseguíamos fazer queijo. Passamos um mês sem nata e sem queijo. O leite não azedava, virava pó, um pó branco. Por causa da radiação. Essa radiação estava na minha horta. A horta ficou toda branca, branca, branca, como se estivesse polvilhada. Eram muitos pedacinhos…Eu pensei que fosse alguma coisa do bosque, que o vento tivesse trazido.”

Trecho de “Vozes de Tchernóbil”, da bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, Prêmio Nobel de Literatura de 2015, lançado aqui pela Companhia das Letras. Obra que, conforme a editora, conta por meio do testemunho de viúvas, trabalhadores, cientistas ainda debilitados pela experiência, soldados e gente do povo a história e os efeitos de uma tragédia nuclear sem precedentes na história, ocorrida há 30 anos na Ucrânia. “Cenas terríveis, acontecimentos dramáticos, episódios patéticos, tudo na história de Tchernóbil aparece com a força das melhores reportagens jornalísticas e a potência dos maiores romances literários. Eis uma obra-prima do nosso tempo.”

Documentário (1h35) lançado por ocasião dos 20 anos do maior acidente nuclear da história

Os 121 anos de Raul Bopp

“Cobra Norato” ilustrado por xilogravuras de Oswaldo Goeldi

Há 121 anos nascia, em um distrito de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, o poeta Raul Bopp. Também jornalista e diplomata foi uma das figuras-chave do Modernismo ao lado de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral e é autor, entre outras obras, de “Cobra Norato”, seu primeiro livro de poesia, lançado em 1931.

Poesia

“Cobra Norato”

“Urucungo”

“Poesias”

“Mironga e Outros Poemas”

Prosa

“América”

“Notas de um Caderno sobre o Itamaraty”

“Movimentos Modernistas no Brasil: 1922/1928

“Memórias de um Embaixador, Bopp Passado a Limpo por Ele Mesmo”

“Vida e Morte da Antropofagia”

“Longitudes”

Celebrando Castro Alves

Tempo de lembrar de Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), o “poeta dos escravos” Castro Alves, cuja morte aos 24 anos, em Salvador (BA), completa amanhã (6), 148 anos. Autor de clássicos como “Espumas Flutuantes” e “Hinos do Equador”, foi o mais célebre nome do período identificado pelos estudiosos como “terceira geração romântica”.

“Cem Anos de Solidão” terá adaptação da Netflix

Vídeo divulgado junto ao anúncio da adaptação da obra-prima do realismo mágico

“Cem Anos de Solidão”, obra de Gabriel García Márquez lançada em 1967 e celebrada nos quatro cantos do planeta, vai virar série da Netflix. A gigante do serviço de streaming anunciou a novidade nesta semana e ressaltou em uma rede social que é a primeira vez em 50 anos que a família do autor permite uma adaptação do romance para as telas. Os filhos Rodrigo e Gonzalo García serão os produtores executivos da série, que deve ser gravada na Colômbia e falada em espanhol.