A comédia de Wilde

A vida vertiginosa de Oscar Wilde – de sua condenação a dois anos de trabalho forçado, em 1895, por sodomia e corrupção da juventude, ao sucesso de uma criação literária que em cerca de oito anos produziu clássicos em contos, peças e em seu único romance, “O Retrato de Dorian Gray” – é contada de forma gráfica em “La Divina Comedia de Oscar Wilde”, do ilustrador espanhol Javier de Isusi. Segundo matéria recente do El País, a obra é um trabalho de mais de 300 páginas ao qual o autor dedicou cinco anos, entre tarefas de pesquisa, roteiro e desenho.

À venda na Amazon, em edição de capa dura, por R$ 820.

As leituras de Bowie

Ainda sem notícias de lançamento em português, acaba de sair também a versão em espanhol de “El Club de Lectura de David Bowie: Una Invitación a la Lectura a través de los 100 Libros que Cambiaron la Vida del Mito”, do jornalista britânico, John O’Connell.

Segundo matéria do El País, a lista de leituras de Bowie que deu origem ao livro já era conhecida desde 2003. Na obra, porém, O’Connell teve o cuidado de explicar cada livro e procurar seu rastro na obra de David e “fez isso com rigor e inteligência”. 

Veja 10 títulos da lista de Bowie, selecionados pelo site omelete.com.br.

“1984”, George Orwell

“Laranja Mecânica”, Anthony Burgess

“O Grande Gatsby”, F. Scott Fitzgerald

“A Sangue Frio”, Truman Capote

“O Estrangeiro”, Albert Camus

“Ruído Branco”, Don Delillo

“Ilíada”, Homero

“O Mestre e a Margarida”, Mikhail Bulgákov

“O Zero e o Infinito”, Arthur Koestler

“Lolita”, Vladimir Nabokov

Jabuti 2019

Depois da “surpresa” da escolha da poeta Elizabeth Bishop para a homenagem da edição do ano que vem da Flip, outra revelação inesperada foi a escolha de “Uma História de Desigualdade – A Concentração de Renda entre os Ricos no Brasil 1926-2013” o livro do ano na premiação do Jabuti. O mais tradicional prêmio literário do país anunciou os vencedores deste ano em evento na quinta-feira passada.

O livro de Pedro H. G. Ferreira de Souza, lançado pela Hucitec, aborda a história econômica brasileira e, segundo comentário do professor e pesquisador Marcelo Medeiros, “trata-se do resultado de um trabalho cauteloso, que envolveu uma coleta de dados atenta, selecionou as informações mais precisas e usou as melhores ferramentas, a fim de apresentar a série histórica mais longa e completa sobre a desigualdade no Brasil”.

Outro destaque do Jabuti foi o prêmio póstumo, na categoria “Crônica”, para Fernanda Young, por “Pos-F: Para Além do Masculino e do Feminino”. Na categoria “Romance”, o prêmio foi para “O Pai da Menina Morta”, de Tiago Ferro, lançado pela Todavia.  

Organizado pela Câmara Brasileira do Livro, a 61ª edição do Jabuti premiou obras em 19 categorias divididas em quatro eixos: literatura, ensaio, livro e inovação e homenageou a escritora Conceição Evaristo.

Outros vencedores:

CONTO

“Um Beijo por Mês”, Vilma Arêas – Luna Parque

INFANTIL

“A Avó Amarela”, Júlia Medeiros e Elisa Carareto – ôZé

POESIA

“Nuvens”, Hilda Machado – 34

BIOGRAFIA, DOCUMENTÁRIO E REPORTAGEM

“Jorge Amado”, Joselia Aguiar – Todavia

LIVRO BRASILEIRO PUBLICADO NO EXTERIOR

“A Resistência”, Julian Fuks

Um lugar para ficar quieto

Tela de Edward Hopper, do acervo do Metropolitan Museum of Art

Crônica de Rubem Braga, do livro “Ai de ti, Copacabana”, em edição da Record, de 2008.

A Casa

Outro dia eu estava folheando uma revista de arquitetura. Como são bonitas essas casas modernas; o risco é ousado e às vezes lindo, as salas são claras, parecem jardins com teto, o arquiteto faz escultura em cimento armado e a gente vive dentro da escultura e da paisagem.

Um amigo meu quis reformar seu apartamento e chamou um arquiteto novo.

O rapaz disse: “vamos tirar esta parede e também aquela; você ficará com uma sala ampla e cheia de luz. Esta porta podemos arrancar; para que porta aqui? E esta outra parede vamos substituir por vidro; a casa ficará mais clara e mais alegre.” E meu amigo tinha um ar feliz.

Eu estava bebendo a um canto, e fiquei em silêncio. Pensei nas casinhas que vira na revista e na reforma que meu amigo ia fazer em seu velho apartamento. E cheguei à conclusão de que estou velho mesmo.

Porque a casa que eu não tenho, eu a quero cercada de muros altos, e quero as paredes bem grossas e quero muitas paredes, e dentro da casa muitas portas com trincos e trancas; e um quarto bem escuro para esconder meus segredos e outro para esconder minha solidão.

Pode haver uma janela alta de onde eu veja o céu e o mar, mas deve haver um canto bem sossegado em que eu possa ficar sozinho, quieto, pensando minhas coisas, um canto sossegado onde um dia eu possa morrer.

A mocidade pode viver nessas alegres barracas de cimento, nós precisamos de sólidas fortalezas; a casa deve ser antes de tudo o asilo inviolável do cidadão triste; onde ele possa bradar, sem medo nem vergonha, o nome de sua amada: Joana, JOANA! – certo de que ninguém ouvirá; casa é o lugar de andar nu de corpo e alma, e sítio para falar sozinho.

Onde eu, que não sei desenhar, possa levar dias tentando traçar na parede o perfil de minha amada, sem que ninguém veja e sorria; onde eu, que não sei fazer versos, possa improvisar canções em alta voz para o meu amor, onde eu que não tenho crença, possa rezar a divindades ocultas, que são apenas minhas.

Casa deve ser a preparação para o segredo maior do túmulo.

Rio, maio de 1957

Imperdíveis para ouvir

Em matéria assinada por Mariana Felipe, a revistabula.com listou 15 audiolivros imperdíveis do catálogo da Auti Books, plataforma lançada recentemente no país pelas editoras Sextante, Record e Intrínseca, em união com a Bronze Ventures.

“O Quinze”, Rachel de Queiroz

“Reinações de Narizinho”, Monteiro Lobato

“Vidas Secas”, Graciliano Ramos

“1984”, George Orwell

“Antes do Baile Verde”, Lygia Fagundes Telles

“O Guia do Mochileiro das Galáxias”, Douglas Adams

“O Fascismo Eterno”, Umberto Eco

“Sapiens”, Yuval Noah Harari

“Um Coração Ardente”, Lygia Fagundes Telles

“Dias Perfeitos”, Rafael Montes

“A Sutil Arte de Ligar o F*da-se”, Mark Manson

“Ted Talks”, Chris Anderson

“Trópicos Utópicos”, Eduardo Gianetti

“O Sol na Cabeça”, Geovani Martins

“21 Lições para o Século 21”, Yuval Noah Harari