Handke no meio do furacão

O escritor austríaco em foto do jornal “Irish Times”

“Um insulto às vítimas do genocídio” afirmou, em editorial, o jornal The Times. “O que é essa simpatia aos verdugos e não às vítimas?”, indagou a romancista Joyce Carol Oates. “Um apologista de crimes de guerra”, afirmou o filósofo esloveno Slavoj Zizek. “É um bom escritor que combina uma grande profundidade com uma cegueira ética alarmante”, pontuou o britânico Hari Kunzru. “Um idiota”, disse Salman Rushdie. Essas são algumas das manifestações dos últimos dias envolvendo o vencedor do récem-anunciado Nobel 2019 de Literatura, o austríaco Peter Handke.

Desde a quinta-feira passada, Handke vem sendo duramente criticado por suas posições como, por exemplo, em relação à Guerra da Bósnia e sua defesa pública do genocida Slobodan Milosevic. O escritor não só aceitou ser condecorado pelo ex-presidente da Sérvia, condenado por crimes contra a humanidade, como discursou em seu enterro, em 2006. Em março daquele ano, “o carniceiro dos Balcãs” como chegou a ser chamado, foi encontrado morto, aparentemente de causas naturais, em sua cela no centro de detenção do Tribunal de Haia, na Holanda.

A Academia Sueca também se manifestou sobre o assunto. “Não é um prêmio político, é um prêmio literário”, destacou Anders Olsson, membro da instituição.

Tokarczuk e Peter Handke levam Nobel de Literatura

Olga Tokarczuk em foto da Paris Review

Foi anunciado ontem (10/10) os vencedores do Nobel de Literatura dos anos de 2018 e 2019. Relativo ao ano passado – quando a premiação foi suspensa após uma série de denúncias e investigações envolvendo assédio sexual e vazamento de nome de premiados, venceu a favorita na bolsa de apostas: a escritora polonesa Olga Tokarczuk. A láurea de 2019 foi para o austríaco Peter Handke.

A romancista, ensaísta, roteirista e celebridade literária na Polônia, é autora, entre outros, de “Flights”, livro que a tornou conhecida mundialmente e lhe rendeu o Man Booker Prize no ano passado. No Brasil, a obra (atualmente esgotada) saiu pela editora Tinta Negra com o título “Os Vagantes”. Segundo matéria da Folha de SP, o livro deve ganhar nova edição, com o título de “Viagens”, pela Todavia.

Um pouco mais conhecido no Brasil, Handke é dramaturgo, romancista e roteirista. É comumente lembrado pela participação no roteiro do filme “Asas do Desejo”, dirigido por Wim Wenders, em 1987.

Na mesma matéria, a Folha publicou um ranking dos países mais laureados. A França lidera com 11 prêmios, seguida por EUA (9), Alemanha (8), Reino Unido (7) e Suécia (7). Em língua portuguesa, apenas Portugal (José Saramago, 1998) levou um prêmio e, na América Latina, somente Chile (2), México (2), Colômbia (1) e Peru (1) tiveram escritores premiados.

Censurado

Notícia da agência EFE, de Istambul, informa mais um arroubo de estupidez e anacronismo mundo afora: o governo da Turquia decidiu censurar o best-seller internacional “Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes”, das italianas Francesca Cavallo e Elena Favilli. As autoridades locais, consideraram o livro “obsceno” para crianças e determinaram que ele só pode ser vendidos para maiores de 18 anos. A obra censurada traz a biografia de 100 mulheres que fizeram história, de Cleópatra a Malala, passando por Coco Chanel e Frida Kahlo. Recomendado para crianças acima de 6 anos, o livro foi traduzido para 30 idiomas, inclusive o português, e já vendeu cerca de 1 milhão de exemplares em todo o mundo.